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A Melhor amiga do lobo
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RESENHA

Por: Rosilene F. Koscianski da Silveira
Doutoranda PPGE-UFSC
Bolsista do Programa de Apoio a Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior – FUMDES
2012

A Melhor amiga do lobo, com duas edições diferenciadas FTD (1991) e editora Caramelo (2002), é uma versão moderna do clássico conto escrito pelo francês Charles Perrault, Chapeuzinho Vermelho, uma narrativa que perpassa gerações provocando em seus interlocutores o desejo de reinventá-la. Ao criar uma nova história, Deonísio da Silva não apenas inverte papéis, como também traz para a cena detalhes da vida dos personagens nas quais as justificativas tornam plausíveis os fatos ali narrados. O lobo passa de “devorador de criancinhas” ao melhor amigo da menina, um “bicho amoroso, que gosta muito de sua companheira e dos filhos que tem com ela” (p.15). O caçador, por sua vez, do herói que conhecemos, que salva a vovozinha cortando a barriga do lobo, passamos a perceber sua outra faceta: um sujeito cruel, capaz de matar, “sem piedade, os filhotes dos bichos que ainda não sabem correr ou voar” (p.14). 

A Melhor amiga do lobo é a história de uma menina que nasceu e cresceu com sua mãe, pois seu pai as abandonou ainda durante a gestação e, como vingança, a nora abandonou sua sogra no meio da floresta. Quando crescidinha, a menina, revirando o baú de sua mãe encontrou um lindo chapéu vermelho que, a partir desse momento, não tirou mais da cabeça, daí nasce o apelido de Chapeuzinho Vermelho. 

Certo dia, a mãe teve piedade da sogra que abandonara na floresta, fez um bolo e Chapeuzinho levou para sua avó. Recomendou para a menina que não se desviasse do caminho e que tomasse cuidado com o lobo, pois esse não tinha pena de ninguém. Prometendo tomar cuidado, foi então a menina para dentro da floresta. No caminho encontrou com o lobo, não um feroz e assustador animal, mas, sim, um lobo paciente e amigo.

Chegando a casa da vovó, Chapeuzinho percebeu que a porta estava aberta, entrou e foi direto para o quarto. Na cama, encontrou sua vovó embaixo do cobertor com uma touca enorme. Ao puxar o cobertor, Chapeuzinho percebeu que a vovó estava esquisita: os olhos, as orelhas, o nariz e as mãos estavam enormes! Nesse momento, o lobo saiu da cama, estava vestindo a camisola e usando os óculos da vovó. Chapeuzinho, tremendo de medo, perguntou pela avó e o lobo falou que ela estava colhendo amoras e gravetos para o dia seguinte. 

Não demorou a vovó chegou. Chapeuzinho levou um grande susto e pulou no colo do lobo gritando e pedindo socorro. O lobo, acariciando seus cabelos, falou que era a vovó que havia entrado, e então Chapeuzinho pulou no colo da avó que a recebeu com alegria. Vovó também cumprimentou o lobo, que disse que estava muito preocupado com o caçador, pois atira em tudo que vê e o pior, tem uma péssima pontaria. Contou que outro dia o caçador tentou entrar em sua casa, mas ele o expulsou. Vovó agradeceu o companheiro por protegê-la

Os três conversaram por um longo tempo. Chapeuzinho estava feliz e contente porque o lobo protegia sua avó, mas teve que ir embora, pois já estava ficando tarde e sua mãe poderia estar preocupada com sua demora. O lobo decidiu acompanhá-la até o final da floresta, e, no percorrer o caminho, tornaram-se grandes amigos. 

Quando Chapeuzinho chegou em casa contou tudo para sua mãe que quis conferir se era mesmo verdade. As duas foram, então, para a casa da vovó. A mãe demorou um pouco para confiar no lobo, achava estranho ele ser tão atencioso, bonzinho e ter uma boa educação. Estavam conversando quando ouviram o caçador chamar. A mãe de Chapeuzinho reconheceu a voz do caçador, saiu correndo e o lobo tentando segura-lá, pois o caçador atirava em tudo e poderia se assustar. Foi uma confusão. Identificaram-se. Chamava-se João e a mãe de Chapeuzinho Maria. Os dois contaram que descobriram que não eram irmãos e por isso seus pais os abandonaram no mato. Eles haviam sido adotados de um orfanato e, quando descobriram essa história, se apaixonaram, casaram-se e foram morar próximo à floresta, já que esse foi o único lugar que encontraram para morar. João esclareceu que naquele dia que ele sumiu, perdera-se na floresta e não conseguiu mais voltar. Sua mãe confessou que ele, João, era seu filho legítimo e que seu pai tinha obrigado-a a abandoná-lo na floresta. Depois de tudo esclarecido, o lobo saiu, voltando horas depois com sua família para comemorarem o reencontro. Após o inesperado reencontro, a família vive feliz. Maria adotou um menino, Adão. Encontrou-o abandonado na floresta, e revelou que o nome de Chapeuzinho era Eva. Tempos depois Eva e Adão se casam e constituíram nova família. 

A linguagem utilizada por Deonísio da Silva, a forma e o conteúdo narrativo buscam uma aproximação com a vida cotidiana, discutindo mal entendidos e preconceitos. Traz para a cena personagens bíblicos e de outras histórias, insere ditados populares, como: “quem vê cara não vê coração” (p.14) e faz um convite ao leitor para assumir o papel principal de uma outra história que poderá se iniciar a qualquer momento, com um novo protagonista, cujo nome pode dar origem aos futuros acontecimentos.

SILVA, Deonísio da. A melhor amiga do lobo. Il. Lúcia Hiratuka. São Paulo: FTD, 1991.

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