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Meu Cachorro Atahualpa 
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RESENHA

Por Chirley Domingues
Professora da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL)
Mestre em Literatura Brasileira (UFSC)
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFSC
2013

Meu Cachorro Atahualpa, escrito por Urda Alice Klueger, reúne uma série de textos que a autora escreveu, de março de 2008 a setembro de 2010, sobre o cachorro que ela acolheu de uma agropecuária. Todos os textos, sem exceção, trazem o cão como personagem principal. Ou seria o verdadeiro amor que une Urda e seu cão o protagonista dessas histórias?

Considerado uma antologia das crônicas que a autora escreveu desde que Atahualpa entrou na sua vida, o livro, um presente de Urda para o aniversário de três anos de seu grande “AUmigo”, apresenta o que ela define como “um grande caso de amor”. O pequeno cãozinho, fruto de uma adoção, trouxe tanta ternura à vida da autora que ela precisou escrever sobre essa relação.

São 16 textos, dos quais 14 são intitulados Meu Cachorro Atahualpa, em que temos as mais divertidas, emocionantes e sensíveis aventuras vividas pela dupla. Desde o encontro dos dois, em uma agropecuária, onde um cachorrinho com olhinhos marotos cativaram Urda, ela sentiu que nascia ali uma relação especial. E é isso o que se vê em todos os textos.

No início, Atahualpa é um cão de apartamento, mas foge ao modelo tradicional desse tipo de cão. Aliás, foge ao modelo tradicional de muitos tipos de cães da atualidade, pois come bolo com leite, no café da manhã, almoça e janta carne cozida, ao invés da monótona ração com a qual os cães são alimentados todos os dias. Toma banho de chuveiro, tem as unhas gastas de tanto correr nas calçadas e nos espaços da natureza. Mergulha em lagoas de peixe, viaja, fica hospedado em pousadas, acampa e vai com a sua dona para todos os lugares, tanto que já está tão famoso quanto ela. Caso não possa acompanhar Urda, eles matam as saudades por telefone.

Quando chegou à casa de Urda, era um “pedacinho de nada de cachorro, um bife”, como define a autora. Com o tempo, vai crescendo, engordando e ficando com cara de cachorro safado e feliz. Atualmente, tem 10 quilos, mas cabe todinho dentro do coração de sua dona.

Companheiro fiel, com ele Urda vive os momentos mais felizes e mais tristes de sua vida, como a grande enchente de 2009 que assolou todo o Vale do Itajaí e que resultou numa grande tragédia. Urda passa pelo sofrimento de muitos catarinenses e fica, também, desabrigada, o que a leva a morar durante muito tempo na sala de uma velha editora. Tempos difíceis, mas que foram amenizados pelo amor que Urda e Atahualpa têm um pelo outro.

Hoje, os dois moram em uma bela casinha, rodeados de vizinhos, crianças e cachorros, que enchem a casa de alegria. Ali vivem grandes aventuras e divertidas histórias, que Urda divide com seus leitores, numa obra onde se encontram belas e singelas imagens, como a que descreve Urda sendo arrastada pelo maroto Atahualpa no meio da rua, quando eles saem para passear, e ele cisma em correr atrás de uma borboleta, um passarinho, uma mosca, um amigo ou uma ideia, e a carrega como “se ela fosse feita de vento”.

Um relato repleto de amor e afeição, que deixa para os leitores a esperança de que um dia as crianças de hoje, sejam adultos mais amorosos e que sempre que quiserem ter um cão, que esse seja adotado e que seja tão amado como é Atahualpa.

KLUEGER, Urda Alice. Meu Cachorro Atahualpa. 1. ed. Blumenau: Hemisfério Sul, 2010.


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