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Pequeno Gafanhoto Biográfado
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RESENHA

por Ingobert Vargas
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação, UFSC.
2012

Em Pequeno Gafanhoto biografado (2002), como definiu o poeta Alcides Buss, na orelha do livro, Klamt mostra-nos os momentos da metamorfose de um homem movido pelas memórias de uma história materna, na qual a presença voraz dos gafanhotos serve-lhe de pretexto, e nutre o seu texto de sensualidade e de surpresa. 

A primeira etapa da metamorfose, intitulada “Investigações”, é inaugurada com uma frase do saudoso poeta blumenauense Lindolf Bell e já nos ambienta para um texto cheio de furor, desejos e inquietações. “Papai gafanhoto me assiste nu diante da janela da aurora”. “Pior é viver pequeno”. “Os bolsos estão cheios de ninhos de cotovias”. ”O oleiro que me molda anda de férias”. “Os lençóis da cama de poemas estão em chamas”...

Na segunda etapa da metamorfose – “Desejo de ser gafanhoto”, aparece, ao leitor, um homem questionador da sua própria existência e que, como define o próprio Klamt, sofre de constantes intoxicações de palavra. Vagueia entre o ceticismo de não ser e a esperança de um louco que anuncia a vinda da primavera com sua rosa de plástico.

É Vinícius de Moraes o convidado que abre a terceira e última etapa da metamorfose, a qual nos revela a maturidade de um homem que, agora(!), sabe de si. A chuva é o lugar de partida para o autor discorrer sobre a paixão e a solidão, o sexo, a vida e a morte.

A poesia de Valdemir Klamt nos desloca da nossa zona de conforto, exigindo-nos um mergulho, em queda livre, naquilo que nos faz mais humanos: a dúvida de ser!

A noite abotoa

a vestimenta negra.

Nasce um embrião de amanhã

entre a fumaça do tabaco

e o tímbalo

da tempestade que segue.

As ilustrações são assinadas por Márcia Cardeal, uma catarinense de Brusque e que estudou Comunicação Visual na Escola de Belas Artes da UFRJ - Rio de Janeiro. Vale destacar que além deste livro, Márcia Cardeal ilustrou o Pomar de Palavras, de Alcides Buss; Maria Mania, de Marta Martins; A Casa Amorosa, de Inês Mafra; e É tempo de Pão-por-Deus, de Eliane Debus, entre outros. 


KLAMT, Valdemir. Pequeno Gafanhoto biografado. São Paulo: Escrituras, 2002.


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