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Uma Casa sem Cor
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RESENHA

por Rafaella Machado
Mestranda do PPGE/UFSC
Bolsista CAPES
2012

Zahidé Muzart, famosa por suas pesquisas sobre a mulher na Literatura, em 2009 publica, inovando seu arsenal de temáticas, o livro infantil Uma casa sem cor, pela Editora Mulheres. 

O livro não traz informações biográficas e nem bibliográficas, contudo, mesmo não conhecendo seu eixo teórico, o leitor consegue distinguir a concepção de infância da autora e percebe nuances de sua linha teórica no decorrer do texto. Em uma resenha, publicada na Revista Estudos Feministas, afirma-se que Zahidé retrata

a imagem de criança não como ser inocente e angelical, em processo de ‘vir-a-ser’ ou um ‘adulto em miniatura’, mas um sujeito dotado de inteligência e sensibilidade, capaz de lidar, à sua maneira, com sentimentos e situações impostas pelas circunstâncias da vida e pelo mundo. Retrata a infância não como lugar da felicidade em que não há espaço para a morte e a dor, mas como lugar povoado por alegrias, curiosidades, tristezas e, sobretudo, solidão. (PAIVA, 2010. p. 268)

Uma casa sem cor tem como protagonista uma criança, uma menina que tem questionamentos e vai ao encontro de explicações por conta própria. Numa linguagem simples, a protagonista dialoga com o leitor, demonstrando suas angústias causadas pela temática densa da ausência de seu pai. Numa narrativa feita em primeira pessoa, a menina percorre um caminho em busca de uma solução para trazer seu pai de volta a casa. 

Como não poderia deixar de ser, a autora consegue desenvolver diferentes olhares sobre as mulheres. Por meio da imagem que a menina tem da mãe, é ilustrado um tratamento superprotetor, no qual esconde a verdade da filha, por ser criança. Em contrapartida, a figura da avó ilustra o tratamento dado aos idosos, que "não conseguem ser ouvidos", principalmente se não tiverem dinheiro. 

Em meio a essa situação de pensamentos e falta de diálogo entre os adultos presentes, a menina busca, na lembrança, os diálogos que tinha com o pai e as conversas que ouviu de outros adultos. Numa dessas conversas, ela ouve o nome de Dona Zefa, uma mulher que supostamente teria o poder de trazer seu pai de volta. Quando conversou com uma amiga sobre Dona Zefa, ela lhe disse que essa mulher era uma bruxa. A menina, então, recorda as palavras do pai afirmando que, na verdade, bruxas são apenas mulheres com poderes que os outros não têm, por isso falam mal delas.

O desenvolvimento da história se dá através da relação entre ilustrações (de Márcia Cardeal) e escrita, que, metaforicamente simbolizada pelas cores, faz a protagonista colorir seu caminho, fazendo novas descobertas sobre a vida e sobre si mesma. 

Comumente, se espera que um livro de literatura infantil aborde temas não muito complexos. O diferencial desse livro, porém, é que a autora consegue abordar temas complexos de maneira simples, sem diminuir a qualidade e, principalmente, mostrando que Literatura Infantil não é “literatura simplificada”. 


Referências

EDITORA MULHERES. As editoras. Zahidé Lupinacci Muzart. Disponível em: < http://www.editoramulheres.com.br/professoras.html/> Acesso em novembro de 2012.

MUZART, Zahidé L. Uma casa sem cor. Il. Márcia Cardeal. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2008.

PAIVA, Kelen B. Uma história de solidão. In: Estudos Feministas, Florianópolis, 18(1): 263-275, janeiro-abril/2010 (p.268-269)

Disponível em:  <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/13581/12454> Acesso em maio de 2011.

PLATAFORMA LATTES. Zahide Lupinacci Muzart. Disponível em: <http://lattes.cnpq.br/1709321137559126> Acesso em novembro de 2012.


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