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Uni... Duni... Téia
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RESENHA

por Rafaella Machado
Mestranda do PPGE/UFSC
Bolsista CAPES
2012

O título do livro de Eloí Bocheco, publicado em 1998, em Florianópolis, pela editora Papa Livros, mostra que o inesperado acontece logo de início. A conhecida brincadeira da escolha em Uni... Duni... Téia acontece com as palavras e nos surpreende. Foi premiado em 1999, pela Câmara Catarinense do livro, com o prêmio "Boi-de-mamão" de melhor livro infantil. São 31 poemas para serem lidos o mês inteiro, uma opção para cada dia. 

Dentre as opções, começamos com um Mutirão Poético, que convida o leitor a humanizar o planeta através de brincadeiras, partilhando enredos, brinquedos, livros e medos. Depois, temos a Flauta floreada, que passeia na floresta e faz fluir sons das flores. A traça vem em seguida, traçando traços, para fazer graça até o leitor ter um troço. A brincadeira depois é com os Brincos, um sapo brejeiro que brinca com os brincos de Bruna, mas que, para não levar bronca, muda a brincadeira e brinca sem brinco. Em Tatu sem terra, uma tensão entre tatu, toupeira e tamanduá, é descrito um ataque na toca e no toco e no travesseiro de ervas de cheiro. Já o Serelepe deixa a gente meio "lep... lep... lep... pilé... pilé...", porque não sabe o que quer, pede até ajuda na internet para ver se encontra o segredo da preguiça de acordar cedo. 

O sarampo da Saracura é o próximo dilema. O Dr. Saracuro diz que sara, diz que cura, mas a Saracura Sara só se sara com os conselhos de um Saracuro apaixonado. Depois, é a vez de encontrar a menina Francine. A gata arranha a porta, espreita a rua, o vento bate nas folhas da goiabeira chamando: FFFFrrranciiiine.A menina aparece e o papagaio atrasado, como eco, imita: Francihihihine. A joaninha, Madrinha do jardim, é a protagonista do balé nas flores, embalada pelas gotas de orvalho, iluminada pelos raios de sol, abençoando o olhar do leitor, como uma nota musical. Logo surge Linda Lia, a lagartixa que escala a parede e a rede, mas é assustada de nascença, não fica na mão nem com oração, deve gostar da liberdade de expressão. Mais tarde, melhor dizendo: mais cedo, aparece o Cavalinho da Alvorada, que acompanha pela estrada a escolha das sementes aladas para replantar o planeta. 

Depois disso, O "S" que cresce inicia no sábado e no silêncio, também na semana de chuvarada e em setembro de sol, vai para uma sexta-feira enluarada e no meio do passado dá uma passada. Eis que surge mais uma opção, ou serão várias? Uni... Duni... Téia não escolhe um, não escolhe outro, escolhe rodar como o tempo, rodar como pião, bem na palma da mão e brincar de esconde-esconde com a saudade, para não deixar passar a amizade. A próxima opção é na Neve, é noite, é nove, é breve, é leve e pode vir na lua nova. Em outro dia, a girafa perde seu Cachecol, procura e pergunta para o bem-te-vi, para o caracol, para o leão, para o passarinho, mas aí encontra enrolado em seis gatinhos, e como foi parar lá a gente tem que adivinhar. 

Encontramos, então, o Gato Malhado, que está sendo alfabetizado, mas precisa de cuidado. As relações de Malhado são ditas e desditas, tudo pelas regras da escrita. Podemos escolher Tássia, uma menina que está dormindo na beira do lago de cera: é um passeio pelos sonhos, por outro século, nas janelas do castelo, com a alga madrinha, no sono da Rapunzel. Para escolher agora é difícil como Piosca, estava a lebre no gramado, vem o tigre importunar, depois a gralha, depois o grilo, depois o graipu, depois o guaxinim, o graxaim, o suco de graviola; falta a graúna, ela aparece, dá-se adeus e vai embora. Aí, onde você está? Esperando a próxima brincadeira: num lugar de criança, lugar de poesia, lugar de memórias, lugar de pensar... esse lugar é a escola? Escolha: Tá quente ou tá frio? 

A pergunta agora é Quem tira a fruta? Quem quiser tirar a fruta tem que brincar com as palavras, com o rei de "Honga Bonga Longa", ou com um pé de jabuticaba, brinca aqui, brinca lá, vai ali e volta já. Dizem que na casa de Pedro tem um banco de pedra que não quebra, tem lata sem barata, palha que não falha, galho que não é espantalho, palmeira que não dá coceira e noite de breu para chegar ao fim. Se encontrar Explicação disso tudo, conte também para mim. E, no próximo dia, está a Elegância da Cutia, laços de fita, para ficar mais bonita, mas se alguém pergunta, ela se irrita. Então, para continuar elegante: um suco de maracujá para Dona Cutia, trazido pela Dona Luzia. 

Para tentar a sorte: Quem joga? Joga as palavras para ver onde vai cair: joga o mascote, joga o mapa, joga o garfo, joga o buquê, mas nunca cai onde é para ser. Outra opção é o pinhão no pilão, e aí o peão entra na roda e volteia o Pião dentro do salão. Depois disso se pergunta: Como seria? Sair pelo mundo sem eira nem beira. A paca é a próxima, mas ela empaca, o trem passa na pista piuiu piuiu piuiu, dona paca dispara papapi papapa papapó, muda o papo e a paca não vira pó. E Rola-rola a brincadeira, como as palavras em Babel, vão cantando, vão rolando, vão sonhando. Novamente se encontram a toupeira e o tatu, dessa vez para aconselhar o compadre que tomar sol demais arde, mas ele teima, e o sol queima O rabo do Tamanduá. Alguns Ditinhos surgem junto com o mico-leão, o gato, o cabrito e outros também, aí as visitas se vão, mas voltam na página que vem. 

No final do livro, ou no final do mês, Escolho as meninas... mas vocês, qual quereis? Por fim, a última opção é que se Experimente pegar um voo, fazer um desenho, transformar a vassoura da bruxa e sair pelo mundo a procurar, seja o que for, sem trégua.

A leitura de cada poema é um dia inteiro de reflexões e canções. A provocação em Uni... Duni... Téia..., às vezes, é com os sons das letras; às vezes, é sem pé nem cabeça, mas não foge do propósito: entreter o leitor. Assim como os poemas, os meses não são iguais: alguns têm 30 dias, outros têm 31 e tem até mês com 28 dias que, às vezes, é com 29. Para entrar na brincadeira, basta escolher o poema do dia e iniciar a leitura!


BOCHECO, Eloí Elisabet. Uni... Duni... Téia... Il.: Francisco Mibielli. Florianópolis: Papa Livros, 1998. 37 p. 


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