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A Gerarda do Biso
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RESENHA

Por Rosilene F. Koscianski da Silveira
Mestre em Educação/UNESC
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFSC
Bolsista do Programa de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior– FUMDES
2013

A Gerarda do Biso,de Iêde Cardoso dos Santos, primeiro livro de gênero infantil escrito por ela, foipublicado em 2010. A biografia da autora está na contracapa e as ilustrações foram produzidas por Iuri Ângelo Périco. A ideia inicial era apenas escrever a história para contar aos seus netos, mas, felizmente, essa intenção se agigantou e A Gerarda do Biso foi publicada, e hoje é conhecida por muitos adultos e crianças.


Escrita em prosa e verso, A Gerarda do Biso é uma narrativa inspirada na “vida real” de uma caminhonete muito antiga, que possuía carroceria e bancos de madeira. Era coberta com uma lona que protegia seus viajantes do sol e da chuva. A protagonista, que pertencia ao pai de Iêde,  foi “batizada” com nome de mulher. Era muito prestativa, “transportava os grupos de corais para as festas, time de futebol às competições, turmas de jovens aos bailes, famílias às festas de casamento e até grupos de amigos ao Balneário.” (s/p) Desse modo, Gerarda pode ser considerada o primeiro taxi de Içara, tendo acompanhado parte do desenvolvimento do município, contribuindo no transporte de gêneros alimentícios no armazém do seu dono e, posteriormente, na instalação de um grande supermercado na região.

Embora traga, inicialmente, algumas informações históricas, A Gerarda do Biso conta muito mais das suas aventuras, fazendo verso e brincando com as rimas. São as quadras que dão conta de que “O Biso Mané Cardoso/era um homem sabichão/comprou uma caminhonete/que parecia um caminhão!”. A Gerarda acompanhou boa parte da vida do Biso, que “trabalhava com alegria e/conversava com vontade/acenava e buzinava/pois todos eram os ‘compadres’”. Tanto andou essa valente que um dia “A carga de melancia/foi toda para o chão/a meninada aos pulos/davam vivas de montão”. Mas, ela também tinha tarefas importantes “Quando o trem apitava/na chegada da estação./A Gerarda ali estava/pra fazer lotação”.

A Gerarda do Biso é um livro que valoriza os elementos da cultura local, preserva a memória de um povo, ressaltando a importância de alguns personagens na construção da cidade, e da história de sua gente. Gerarda é mais que uma caminhonete, ao se transformar em personagem de livro, virou lenda. A autora, ao compartilhar as aventuras de seu pai com a Gerarda, além de preservar, por meio da escrita, parte da sua história pessoal e da sua comunidade, mostra que cada de nós pode narrar suas vivências e que estas podem “virar” livro e se tornarem conhecidas por muita gente, de forma poética e divertida. E agora, por onde anda a Gerarda? “O ‘Ferro Velho’ a levou.../mas em nossa memória/ela se imortalizou”. Imortalizou-se também nas páginas de um livro disposto a conservá-la.

SANTOS, Iêde Cardoso dos. A Gerarda do Biso.Içara: Ed. do autor, 2010.


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